Postagens

Sobre guerreiros e pigmeus

por Henrique Matos (O texto abaixo tem como propósito ser uma analogia para a nossa postura dentro das comunidades e em nossa conduta cristã. Reconheço que pode soar um tanto preconceituoso quanto à questões físicas e étnicas de alguns povos, mas isso não condiz com a intenção real, que é sempre a de edificar a caminhada com Cristo - escrevo esse comentário depois do texto já divulgado em outros meios, obrigado ao Tonho pela observação). * * * Alguém disse certa vez, talvez um professor, que existe uma razão para alguns homens serem mais altos do que outros, a exemplo de algumas tribos africanas onde chegam a medir quase dois metros em contraste a certas comunidades de pigmeus, também africanos, que mal chegam a um metro e trinta. Conta a história que no tempo em que nossos ancestrais começaram sua peregrinação pelo mundo, o macho tinha por função sair diariamente para a caça e trazer para casa o alimento que supriria a necessidade de sua família (eram tempos em que as geladeiras não e...

Retratos e semelhanças

por Henrique Matos "A glória de Deus é um ser humano em plenitude de vida" (Ireneu). Fico a pensar por quais ruas ele andou, que caminhos trilhou, que vida levou desde aquele dia, sentado no banco da praça, com seus vinte e poucos anos, protegendo sob sua guarda a noiva que ostenta nos braços. Sei, tão pura e simplesmente, que hoje aquele jovem transformou-se em um pequeno senhor de poucos cabelos brancos que chamo por "meu vô" desde que me entendo por gente. Mas vê-lo no retrato com possivelmente a minha idade, abraçado à minha avó e juntos, sentados no banco da praça no interior, remete a imaginação a tempos em que eu não vivia, tempos sem os dezessete filhos que ele viria a ter. Hoje, conheço e admiro - ainda que à distância fria e desgarrada de um neto adulto - sua bondade simples sem interesses ou jogos. Um homem que separa um tanto do alimento em seu prato para satisfazer a fome curiosa dos pássaros no quintal, que toca todo e qualquer inseto porta a fora a fi...

O troco

por Henrique Matos e Emmanuelle Burci “Não façais mal e o mal não existirá” (Leon Tolstoi) Assim como uma pequena chama na floresta pode se transformar em uma grande queimada, também um ressentimento guardado sem perdão pode, com o passar do tempo, tomar proporções gigantescas e destruir toda beleza naquela que antes era uma terra viva. O fogo mata o que antes era fértil, consumindo o verde reluzente e transformando-o em uma sequidão cinza. Para conter o fogo e impedir a destruição, é preciso esfriar a brasa e aprender a perdoar. Guardar ressentimentos só nos faz sofrer ver todo o resto de nossas emoções serem sugados. Uma segunda opção lógica seria revidar o golpe e fazer justiça com as próprias mãos, mas nesse caso, como no exemplo acima, seria apagar o fogo com mais fogo, seria jogar lenha em uma fogueira. Quando se fazemos um contra-ataque deixamos a posição de vítima e nos igualamos ao agressor. A idéia racional que temos de justiça é dar ao “pecador” uma pena que lhe faça lembrar...

Coração novo

por Henrique Matos Ah, seu eu não soubesse o que é amor e fosse ainda um ignorante, leigo a respeito da Palavra e livre para o pecado. Caminharia em minha inocência, errando, errante pelo mundo, seguiria escravo sem saber de quê, crente na falsa liberdade e abundante dos manjares da carne. Ah, se Seu poder não me tivesse alcançado e meu coração cheio de sombras continuasse a não crer. Então eu não precisaria me arrepender, afinal nem saberia onde pequei, não deveria perdoar pois enfim me é prazeroso revidar o tapa que me ardeu a face e devolver com força a mentira, a traição e o ódio que preenche a alma. Ah, se Ele não tivesse vindo, Sua história me passasse oculta e meu entendimento permanecesse alheio à Sua verdade. Eu seguiria em meu rumo cigano, amando a vaidade, louco e insano, cheio de estupor e maldades planejadas. Ah, se esse mundo não fosse tão dividido e eu não precisasse tanto dessa porção, desse frasco, do carinho do Seu toque e o constrangimento de Teu amor. Poderia eu fic...

Vamos ao zoológico!

por Henrique Matos "Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes" (1 Coríntios 1:27). Nove feridos e seis mortos, esse é o saldo de mendigos agredidos em São Paulo, brutalmente atacados com pancadas na cabeça. Os atos aconteceram durante a madrugada e, segundo depoimentos de testemunhas, um indivíduo trajando roupas pretas fora o responsável pelos ataques a moradores de rua no centro da capital. A polícia investiga, a população se indigna e os moradores de rua protestam. Já há anos eles protestam, mas nada se ouve, eles são mudos, nada se vê, eles são os seres invisíveis que "deletamos" em nossa rotina cotidiana da grande metrópole. Agora sim, porque foram agredidos, as autoridades se interessam em abriga-los em albergues que sempre existiram, mas de portas fechadas aos "seres invisíveis". Agora sim, a imprensa se comove em mostrar o rosto daqueles que por vergonha, ...

Homens das cavernas

por Henrique Matos "As cavernas não são o lugar oportuno para melhorar o estado de ânimo. Existe certa mesmice entre todas elas, não importa em quantas você tenha dormido. Escuras. Úmidas. Frias. Bolorentas. Uma caverna se torna pior ainda quando você é o seu único habitante..." (Gene Edwards no livro "Perfil de Três Reis", p. 39). Quem já esteve em uma caverna entende o que o autor quer dizer. Não há nada de aconchegante naquela rocha, são locais cheios de infiltrações, irregularidades, insetos em suas cavidades, um ambiente gélido e desconfortável. Algumas não têm mais do que poucos metros de profundidade, já outras são tão extensas que mal se pode chegar ao seu fim. Definitivamente, não são lugares onde um homem possa viver em paz. Exalam a solidão, exaltam os ruídos com ecos espantados rasgando o silêncio assustador e as frias trevas em seu interior não são estímulos para a paz de espírito. Uma caverna não é um lugar para se estar sozinho. Em uma rocha dessas, e...

Nome sujo

por Henrique Matos Luiz Henrique de Oliveira Matos, é assim que fui batizado. Desde a gravidez de minha mãe, meus pais me tornaram conhecido aos parentes e amigos por este nome. Passados os anos, ainda não faço idéia da origem do título, me soa um tanto luso, pela semelhança e pelo parentesco, mas ora pois, não sei bem de onde vem. Nesse aspecto, gosto de observar os hábitos dos antigos, que davam aos filhos nomes que de fato, tivessem algum significado. Assim faziam os índios, as tribos primatas e os hebreus. Consultando as Escrituras percebemos que cada nome tem o seu significado e esse tem ligação direta com a vida de seu dono. A título de exemplo vemos que Abraão quer dizer ‘pai de muitos’, Assuero significa ‘homem poderoso’, Malaquias é ‘mensageiro do Senhor’, Jotão é ‘o Senhor é perfeito’ e Timóteo quer dizer ‘que honra a Deus’. São nomes muito bonitos, fortes e cheios de significados, mas que sinceramente, eu não daria a nenhum de meus filhos. Mas existem também os nomes cujos s...

Tudo se cria

por Henrique Matos (7º e último texto da série "Plantar e Colher - Princípios Bíblicos") O ser humano é um espécime engraçado. Somos os únicos dotados da capacidade de raciocinar, um privilégio dado por Deus, mas de certa forma - como tudo o que é de graça - desprezamos essa bênção com um escape um tanto esquisito. Alguns estudos revelam que o cérebro humano é capaz de adaptar-se facilmente a algo que chamamos de "rotina". Ele é auto-suficiente para não nos fazer pensar muitas vezes na mesma coisa. Aquela sensação de que a cada ano os dias passam mais depressa ou a impressão estranha ao chegar em casa do trabalho e nem perceber o percurso que fizemos, trata-se de uma reação cerebral para não gastarmos novamente a mesma força, ou seja, se já fizemos algo outras tantas vezes, nosso cérebro otimiza suas funções e faz parecer que não as temos vivido. Pois existe uma má notícia nisso: se cada vez mais os dias parecem "voar", isso é sinal de que temos feito todo...

De propósito

por Henrique Matos (6º texto da série "Plantar e Colher - Princípios Bíblicos") Noé tinha exatos seiscentos anos quando concluiu a construção da arca, cumpriu o seu propósito e viu cair a primeira gota de chuva sobre a Terra. Abraão tinha setenta e cinco anos quando Deus o mandou sair de sua casa e ir para um lugar distante, prometendo-lhe um filho com sua mulher estéril e a partir dele, uma descendência incontável como as estrelas do céu. Davi foi ungido rei aos quinze anos de idade, mas teve que fugir e esconder-se por cerca de mais quinze até que fosse reconhecido e levado ao trono sobre Israel. Jesus nasceu entre os homens e aguardou por trinta anos até começar Seu ministério e então morrer na cruz para cumprir as 332 profecias ditas a seu respeito e salvar a humanidade. E Lázaro, bem, Lázaro esperou menos, foram "só" quatro dias, mas ele estava morto até que seu amigo Jesus chegasse e lhe desse a vida novamente. Quanto tempo você tem esperado? Quanto tempo aind...

Me dê motivos

por Henrique Matos   Afinal, porque Jesus nasceu? Pare um instante para pensar, qual o motivo de o Senhor ter nascido como homem e vivido 33 anos entre nós se, sendo Deus, poderia fazer uma breve "participação especial" na história da humanidade e resolver a questão da redenção de forma muito menos polêmica? Qual a razão para Ele ter sido gerado em uma mulher, carregado por nove meses, nascido em um lugar sem condições apropriadas, fugir para o Egito, trabalhar como carpinteiro, esperar trinta anos para começar seu ministério, pregar por três anos apenas, ser perseguido e ainda sofrer tudo o que sofreu sem ter nenhum tipo de culpa, pecado ou necessidade? Ele poderia, por exemplo, do alto de Sua glória, lá no céu, olhar para a humanidade, colocar Satanás em uma gaiola, furar a ponta do dedo com uma agulha e com aquela gota de sangue espremida, lavar todos os homens de seus pecados e nos dar a salvação. Nenhum trabalho, nenhum sofrimento, um preço razoável e tudo se resolveria....