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À beira da cratera

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por Henrique Matos Sexta-feira, 12 de janeiro de 2007. Uma história real. - Corre! Corre! A gente precisa descer agora! - Ahn? Enquanto a gritaria e o pânico reinavam, meu gene mineiro prevaleceu e o sossego costumeiro me fez tirar metodicamente os fones de ouvido, ajeitar os fios sobre a mesa, fechar as telas do computador, afastar a cadeira, levantar devagar, pegar minhas coisas na gaveta e pensar se era realmente necessário tanta urgência e gritaria. “Isso é exagero, coisa de mulher...”, pensei na hora. Mas ainda assim resolvi seguir o fluxo e descer pelas escadas do prédio. Dezessete andares, rapidinho! E lá pelo décimo as minhas panturrilhas já doíam. No caminho, degrau por degrau, eu tentava entender a razão do alvoroço. Em cada lance de escadas uma nova multidão surgia pelas portas e se juntava ao fluxo gravitacional. Para baixo e avante! Os mais heróicos ajudavam os mancos. Os pacientes estimulavam os retardatários. Os apavorados passavam direto pelas frestas, “não pára, não pá...

Todo o tempo do mundo

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por Henrique Matos Nesse exato momento percebo que há vinte minutos eu parei uma tarefa importantíssima, urgentíssima e atrasadíssima para seguir o impulso de escrever um texto. E então me percebo mais uma vez diante de um dos defeitos que menos gosto de ver em mim: falta de concentração. Como são quase todos os defeitos, esse também é daqueles que às vezes viram qualidade. Na contramão da minha dispersão exagerada, me sinto motivado em saber que minha lista de tarefas é maior do que o tempo para realiza-las. Apesar de começar tarde, dificilmente atraso. É justamente nessas horas que me supero (e espero que aconteça o mesmo hoje, com as tantas tarefas que deixei de lado para escrever esses parágrafos). E fico pensando (mas não por muito tempo porque senão eu perco a concentração): e se eu não tivesse mais prazo para realizar tantas coisas? E se os dias já não tivessem fim e todo o tempo me fosse dado para cumprir sonhos, planos e objetivos? E volto a pensar: mas não é assim que as cois...

Momento de lucidez

por Henrique Matos Aquela vontade que não cessa. A vontade de seguir os conselhos dessa doce voz, de responder aos santos impulsos, de realizar o que de fato cremos como verdade e justiça. Mas, por que não faço? Por que não sou? É o desejo cru da santidade, de deixar cair a máscara do trabalho pelo dinheiro, de ver ruir o consumo desnecessário em que vivemos. É querer não querer aparecer e ser maior do que deveríamos. A angústia por não mentir, a incessante expectativa em não pecar, não desviar o olhar, não titubear no julgamento. É o querer pôr freio na língua e ter os passos retos. O caminho da retidão, da entrega, de viver aos pés das letras da Palavra que nos aconselha o amor verdadeiro ao próximo, tal qual o temos por nós mesmos. E é deixar tudo por esse amor, entregar a vida toda por aquele se entregou totalmente por nós. Viver para caridade, para as pessoas. Ajudar a curar suas feridas, liberta-los das prisões, vesti-los de sua nudez, guia-los na escuridão, auxilia-los em suas n...

Caminho seguro

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por Henrique Matos Josafá! Se o nome não fosse tão feio eu o daria a um futuro filho (é claro que minha esposa não sabe disso). Mas o que me encanta nesse homem não é exatamente a beleza de seu nome (ou nesse caso, a falta dela), mas sua fé tão sincera. A frase registrada no livro de 2 Crônicas me inspira. Cercado por inimigos que vinham ataca-lo, esse rei orou: “pois não temos força para enfrentar esse exército imenso que vem nos atacar. Não sabemos o que fazer, mas os nossos olhos se voltam para ti”. E seu exército seguiu para o campo cantando músicas de adoração. Naquele dia, o povo de Josafá venceu a guerra sem precisar levantar uma espada. Ter os olhos em Deus. Não há batalha impossível ao seu lado, não há alegria completa sem a sua presença. Deus é Pai. Que cria, disciplina e ensina. Pai que estende a mão para levar seus filhos na direção certa. E de mãos dadas com ele, só assim, é que poderemos trilhar os seus caminhos. Faça-se o dia claro ou a escuridão da noite. Ponha-se o sol...

Reforma

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Na última terça-feira, 31 de outubro, alguns cristãos comemoraram os 489 anos da Reforma Protestante. Um pouco do que penso sobre isso, li no texto de um dos pastores da minha comunidade. O artigo "Marteladas em Wittemberg" (na íntegra, logo abaixo) fala sobre a Reforma. É sincero e é, para mim, uma verdade que admiro. Marteladas em Wittemberg Na próxima terça-feira, o mundo protestante comemorará 489 ano do início da Reforma. Segundo a tradição, em 31 de outubro de 1517 Martinho Lutero, monge agostiano e professor de Teologia, afixou na porta da capela universitária de Wittemberg suas 95 testes, nas quais criticava o sistema penitencial católico, especialmente a venda de indulgências. De acordo com pesquisas recentes, é bem provável que esse evento (as "marteladas em Wittemberg") seja ummito criado posteriormente. Não há provas de que Lutero de fato pregou suas teses na porta da capela; mas temos a certeza de que, pouco depois dessa data, as teses foram impressas e...

Cura interior

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por Henrique Matos Cura interior. No meu caso, teve nome, Colicesctomia com Colecistite por Videolaparoscopia. Um nome muito peculiar é verdade. Mas na linguagem quase popular, chamam de cirurgia de extração da vesícula biliar por vídeo. Já no palavrório totalmente popular, “retirada da visícra” transmitida pela TV. Em resumo, entrei na faca. Cura interior. Hoje eu acredito e defendo esse processo. Passei pela minha há algumas semanas e agora gozo o alivio da restauração. Mas, nem tudo foi tão simples (se é que parece ter sido). Antes, lamentei por algum tempo a minha falta de fé. Pensava que sendo eu um cristão tão convicto, bem que poderia experimentar um milagre, desses espetaculares, e passar incólume por essa luta. “Ué”, qualquer um de nós poderia perguntar, “mas Deus ainda não cura os doentes tal como fez tantas vezes na Bíblia?”. É verdade, mas para entender o motivo, minha pequena fé me faz apelar à dose de razão que tenho. E é por ela que percebi e passei a crer em mais duas c...

As grandes conquistas do homem

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por Henrique Matos Desde criança, sempre acreditei que um dia eu faria algo que marcasse e mudasse a história das pessoas. Inventaria algo que fosse um divisor de águas na humanidade, uma salvação para os povos. Nunca soube direito o que seria, mas era um pensamento megalomaníaco qualquer. Bem, preciso ser honesto antes de continuar essa confissão vergonhosa... pensamentos assim ainda me assaltam a mente. Sonhos impossíveis. Mas não são por vaidade, tão menos por orgulho. Esse sonho infantil, passava e passa por grandes feitos que tragam alegria para as pessoas. Eu diria então que é uma megalomania altruísta. Quem sabe não seria um livro publicado mundialmente? Talvez um projeto de erradicação da fome. Uma canção tocante (ainda que eu seja inteiramente desprovido de ritmo e afinação). Ou, não seria eu um atleta nas Olimpíadas trazendo orgulho para minha pátria? Um grande artista? O vencedor de um Oscar para melhor documentário? Um prêmio Nobel da paz? Um líder político, um explorador e...

Ops!

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por Henrique Matos Muito bem. Sem as ilustrações que tornam melhor a explicação das mensagens, aproveito agora o isolado repente de um aprendizado – expressado na onomatopéia desse título – para dar razão a uma verdade que precisei sentir antes de crer. Que segue: A única boa conduta que um homem pode ter por si só é o reconhecimento de seus erros. A afirmação tão contundente deve-se ao fato de que todas as outras boas condutas pela qual pode ser avaliado, não lhe são originais de fato, mas reflexo da misericórdia divina. A bondade, a honra, a justiça, o amor, a fé, o ajudar a velhinha carente a atravessar a rua no semáforo são tão somente fragmentos de Cristo impressos em seu caráter. Esse bom caráter é a “imagem e semelhança” de Deus que herdamos. Isso é parte intrínseca de sua personalidade. Mas veja pois e então que quanto ao arrependimento, essa é realmente a única atitude nobre que pode um homem ter por iniciativa própria. Reconhecer seus próprios erros e se dispor a mudar não é ...

Radicais e extremistas

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Li agora no Teologia Brasileira - que por sinal, sempre me vale a visita - um novo texto do Irmão T chamado "Bem-aventurados os pacificadores!". Ele escreve sobre a conturbada e violenta relação entre o oriente e o ocidente, também expressada no convívio entre muçulmanos e cristãos. Leia abaixo um trecho: "É triste notar que radical e extremo viraram sinônimos de violência. Cristianismo radical deveria significar exatamente o oposto: extremo amor ao próximo. De qualquer forma, concordo com a rainha em um ponto: só venceremos essa guerra através da união de cristãos e muçulmanos que verdadeiramente buscam a paz. A desunião entre os dois grupos é o grande obstáculo a ser vencido." O texto completo no site .

Versos infantis dessa minha felicidade

por Henrique Matos Felicidade eu tenho, Deitada ao meu lado, Suspirando em paz, Descansando em sonhos, A repousar Cabelos soltos sobre cama, Como solta ela está, Entregue, inocente, Renovando a vida e o dia, A repousar Felicidade eu sinto, Realizado nesse leito, Enquanto leio, paro e olho, A admiro e assisto, A repousar E sonho, ah, eu sonho acordado, Com o filho que ela tem em seu ventre, O futuro que seremos, dois eternos, Ah, felicidade! Ah, repousar! Crescerá a criança, De todo amor será cheia, de Deus, E lançada como a flecha voará, Subirá como águia, além irá pela vida, Até pousar.